Reflita

" O papel é um cofre, onde podemos depositar jóias raras, e a caneta, é a chave para este cofre ".

sexta-feira, 15 de abril de 2011

ARTESANATO PARAENSE - O MIRITI



o Miriti
O miriti (Mauritia flexuosa L.), é uma palmeira nativa de áreas alagadiças, pertencente à mesma família do buriti (Mauritia vinifera M.), facilmente encontradas no Norte brasileiro, do miriti tudo se faz e da palmeira tudo se aproveita: do fruto, especiaria utilizada na culinária regional, da casca ou tala, se faz o paneiro, considerado 'pai do miriti', porque foi o primeiro produto artesanal, do qual se originaram todos os demais, brinquedos, barcos, reproduções de animais (cobras, araras e onças, entre outros), objetos de decoração, enfim, uma coleção artesanal diversificada e colorida, que representa uma tradição indissociável do Círio de Nossa Senhora de Nazaré.



Brinquedos de miriti


Os "Brinquedos de Miriti", são fabricados há 200 anos no Pará. A primeira etapa da confecção dos brinquedos consiste no corte de pedaços da polpa do miriti. Por ser matéria macia e porosa, muitas vezes referida como isopor natural, pouca resistência oferece às facas afiadas dos artesãos, que nela podem talhar as mais diversas formas. Feito “de olho”, geralmente sem auxílio de moldes e riscos, o corte exige bastante atenção e bom domínio da faca.



Lenda do Miriti
Era uma vez uma jovem índia que conhecia bem a floresta, os rios e igarapés. Ela se chamava Uaraci e era apaixonada pela lua. Por causa desse amor, acabou morrendo e foi enterrada junto ao rio, e assim as águas poderiam sempre tocar o seu corpo. Ali nasceu uma palmerinha elegante e diferente, e o pai de Uaraci reconheceu-a, através de uma voz que lhe sussurrou, como a filha que tinha retornado a este mundo para fazer bem ao seu povo. Desde então, a tribo passou a chamar a palmeira de Miriti ou Buriti.
O mito de Uaraci continua vivo no imaginário de Abaetetuba, um município localizado a 170 km a sudoeste de Belém, uma cidade vizinha distante hora e meia de carro e balsa. De barco levaria duas horas para chegar lá – aliás, o barco é o transporte mais usado, talvez até pela calma que sugerem a floresta e os igarapés.


Lá em Abaetetuba, o fruto da palmeira vira doce, vinho, mingau, e matéria-prima de cosméticos. O tronco é usado na construção e as folhas para cobrir telhados. Mas de todas as possibilidades que o Miriti proporciona, é através dos brinquedos que verificamos as manifestações mais originais e expressivas da representação popular. Os brinquedos trouxeram reconhecimento nacional e internacional aos artesãos do Município.


O Arte Pará homenageia os artistas-artesãos através da exposição de diversos brinquedos de Miriti no espaço da Rocinha, no Museu Goeldi. A exposição reflete a singular relação entre o homem e a natureza, e ilumina a cultura que os rodeia expondo para nós o cotidiano e a imensa alegoria da existência dos brinquedos. São barcos, bonecos dançarinos, cobras, jacarés, rádios de pilha, televisões, pato dentro do paneiro e outros. Surgem objetos diversos a cada ano, pois a imaginação humana não tem limite. A predileção do motivo é parte da escolha individual de cada mestre ou família de artesãos. A forma produzida reflete o universo caboclo, e as influências urbanas e afetivas dos produtores de brinquedos.


Em Belém, no Círio de Nazaré o brinquedo de Miriti atinge seu objetivo maior de identificação. Essa expressão popular é parte das festividades nazarenas e provavelmente esteve presente desde o primeiro Círio. Em geral, a participação dos artesãos independe de religião – é uma tradição seguida, com uma produção anual toda pensada e planejada para o evento. Cerca de 35 mil peças são trazidas a Belém para serem comercializadas durante as festividades.


Não há paraense que não tenha brincado ou pelo menos ouvido falar desses levíssimos brinquedos tradicionalmente vendidos na Festa do Círio de Nazaré.






Daniel Brandão.

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